Saúde mental de crianças japonesas está em segundo lugar como uma das piores entre as nações mais ricas



Foi divulgado um relatório da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) sobre a saúde mental de crianças e adolescentes de 38 países desenvolvidos e emergentes.

O relatório mostra que as crianças japonesas se encontram em segundo lugar da pior avaliação de bem-estar mental, com baixa satisfação com a vida e à alta frequência de suicídio.

Os resultados ajudam a ver como estão as crianças com idade até 15 anos em 3 aspectos: bem-estar mental, saúde física e oportunidades para desenvolvimento das suas habilidades.

No aspecto saúde física são analisados índices como obesidade e mortalidade. As crianças japonesas são fisicamente saudáveis – em 1.º lugar – mas apresentam baixo bem-estar mental, ficando em em 37.º lugar por causa do alto índice de suicídio entre os jovens.

Por outro lado, em termos de desenvolvimento das habilidades, que mede a capacidade acadêmica, embora tenham um alto nível de proficiência nesse quesito, o Japão ficou em 27.º lugar devido à adaptabilidade social.

Embora as crianças japonesas esbanjem em saúde física e vivam em circunstâncias econômicas relativamente prósperas, casos de bullying nas escolas, bem como relacionamentos difíceis com membros da família, levam à falta de bem-estar psicológico, concluiu o estudo apoiado pela ONU.

Somente as crianças da Nova Zelândia tiveram classificação pior do que no Japão em termos de bem-estar mental.


Levando em consideração as três categorias, a Holanda liderou a lista, seguida pela Dinamarca e pela Noruega. O Japão ficou em 20º, os Estados Unidos em 36º e o Chile foi o pior classificado.

No Japão, uma média de 7,5 em 100.000 adolescentes de 15 a 19 anos cometeram suicídio entre 2013 e 2015, enquanto a taxa de suicídio na Nova Zelândia foi a segunda maior, 14,9. A Grécia teve a menor taxa de suicídio de 1,4, enquanto a Lituânia teve a maior, de 18,2.

Enquanto isso, o Japão registou a menor taxa de obesidade, com apenas 14% das pessoas entre 5 e 19 anos classificadas como excesso de peso ou obesas em 2016. Os Estados Unidos tiveram a taxa mais alta, 42%.

O Japão teve a menor taxa de desemprego em 2019 entre os países incluídos, e a taxa de crianças que vivem na pobreza ficou em 18,8%, abaixo da média de 20%.

O especialista em educação japonês Naoki Ogi rotulou as escolas do Japão de “inferno intimidador” e disse que a competição excessiva para entrar em escolas de prestígio é um fator negativo para a saúde mental das crianças. Ele afirmou que “é inevitável as crianças (no Japão) terem baixa autoestima e falta de felicidade”.

A pesquisa vem sendo realizada há 20 anos, mas fazia 7 que não era realizada, retornando a elaboração do relatório em 2017. A pesquisa para a criação deste relatório aconteceu antes da pandemia ter se instaurado no Japão e no mundo.

O Brasil não entra na categoria da ONU para entrar na pesquisa de índice de felicidade da criança. Porém, dados de 2019 da Organização Mundial da Saúde (OMS), 9,3% da população brasileira sofre de ansiedade e 5,8%, de depressão, segundo a ABP, principal causa relacionada aos suicídios no Brasil.

No Brasil, anualmente, o número de pessoas que atentam contra a própria vida passa dos 13 mil, de acordo com o último levantamento do Ministério da Saúde, em 2018.